quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Ano Novo
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Um problema...
- Não entendi.
- Não? O seu coração tá gelado, com só dois dedos de emoção circulando dentro.
- Hum.
- Você devia derreter um pouco desse gelo, deixar a emoção fluir.
- Eu já entendi, mas acho melhor a gente abandonar essa metáfora.
- Esquece.
- Não, fica. Pode ficar. Eu tava gostando do assunto, só cansei da metáfora.
- Você quer mudar de metáfora ou falar sem metáfora?
- Falar sem metáfora.
- Ok. Eu acho que às vezes você pode deixar escapar oportunidades na vida porque seu coração tá frio, fechado para as emoções.
- Eu acho que você era melhor com metáforas.
- Ok. Digamos que você é a Antártida e eu o Amir Klink, por mais que o Amir Klink goste da Antártida e queira ficar mais tempo lá o clima gelado não permite, a frieza da Antártida repele o Amir, entendeu?
- A Antártida pede desculpas pro Amir Klink, mas foram as condições ambientais que deixaram ela assim.
- Mas, o Amir gosta da Antártida do jeito que ela é. Linda, branca, misteriosa, ela só precisa ser menos...
- Se você ficar dando bobeira na minha frente eu vou fazer o meu Top de cinco segundos com você.
- Fazer o quê?
- Eu tenho um top de cinco segundos para as coisas acontecerem. Entendeu?
- Entendi. Dói?
- Não, quer dizer, possivelmente sim, mas só depois, um dia...
- Eu topo.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
A Estrada
Interessa mais que uma avenida urbana.
Nas cidades todas as pessoas se parecem.
Todo o mundo é igual. Todo o mundo é toda a gente.
Aqui, não: sente-se bem que cada um traz a sua alma.
Cada criatura é única.
Até os cães.
Estes cães da roça parecem homens de negócios:
Andam sempre preocupados.
E quanta gente vem e vai!
E tudo tem aquele caráter impressivo que faz meditar:
Enterro a pé ou a carrocinha de leite puxada por um
[bodezinho manhoso.
Nem falta o murmúrio da água, para sugerir, pela voz
[dos símbolos,
Que a vida passa! Que a vida passa!
E a mocidade vai acabar.
sábado, 21 de novembro de 2009
domingo, 1 de novembro de 2009
sábado, 24 de outubro de 2009
sem palavras
nessa língua ponte entre nós dizes a língua e outra qualquer coisa
quando dizes a tua boca original a mesma que tantas vezes me dás
no mover de ti e no ondular do som da tua voz quando estou sobre ti
ou tu sobre mim e este poema sobre ti e tantas vezes nunca são
muitas vezes na tua língua
a palavra tem o som da tua voz
em qualquer boca até
na minha
pronúncia atrapalhada até para dizer o teu nome e há qualquer coisa
nesta ponte que fazemos que estendemos em tapete futuro
qualquer coisa metálica e quente uma espécie de fundição no
mover dos lábios para tanto no mover de ti"
M. Tiago paixão
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
[Clarice Lispector]
domingo, 6 de setembro de 2009
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
E passou...
.:Rita Apoena:.
sábado, 8 de agosto de 2009
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Sentimento comum
domingo, 2 de agosto de 2009
nunca pensei que hoje fosse fazer tanto sentido
minha música preferida quando eu tinha 6 anos de idade...ficava deitada ao lado do rádio escutando mil vezes a mesma canção!
o vício ainda permanece!
terça-feira, 14 de julho de 2009
eu (redemoinho)
e é bom que você perceba logo que eu sou assim esse fio desencapado à beira do curto e me queima o sangue essa gente comedida que não grita que não surta que não sente e que passa o tempo trabalhando os sentimentos porque eu não sei ser assim em se tratando de amor meu querido de tesão de paixão fico totalmente passional pirada e louca e se for de outro jeito tem jeito não meu bem tem que ferver tem que arder e até doer se precisar que eu aguento mato no peito mesmo e não acho que tô pedindo demais eu bebo eu fumo eu sambo eu balanço eu caio eu giro e tô nem aí pra essa gente moralista que fode meia boca e só tem prazer ao me apontar o dedo pra jurar mentiras sem nem me conhecer e se eu contar que sou teimosa e legal e chata e divertida e tímida e safada e melancólica e feliz e inteligente e tapada e mordida e lambida e beijo e beijo e beijo e poesia e sacanagem e cafuné e selvageria e doçura e pimenta e risada e choro então piora ou melhora se eu me explicar assim
de - ta - lha - da - men - te (?!?)
Muito bom!
Eu tenho os olhos úmidos
Eu posso estar completamente enganado
Eu posso estar correndo pro lado errado
Mas "a dúvida é o preço da pureza"
É inútil ter certeza
Eu vejo as placas dizendo
"não corra, não morra, não fume"
Eu vejo as placas cortando o horizonte
Elas parecem facas de dois gumes
Minha vida é tão confusa quanto a América Central
Por isso não me acuse de ser irracional
(Infinita highway - engenheiros do hawaii)
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Para outro alguém...
Em pedacinhos o meu coração de pedra
Quebra
Em pedacinhos o meu coração e guarda
Guarda
Um pedacinho do meu coração contigo
Fica com ele como prova de amor.
(Pedaço do meu coração-Cazuza)
sábado, 6 de junho de 2009
Imunização Racional
Tim Maia
Composição: Tim Maia
Uh! Uh! Uh!Que Beleza!
Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
Que beleza é sentir a natureza
Ter certeza pr'onde vai
E de onde vem
Que beleza é vir da pureza
E sem medo distinguir
O mal e o bem...
Uh! Uh! Uh! Que Beleza!!
Uh! Uh! Que Beleza!
Que beleza é saber seu nome
Sua origem, seu passado
E seu futuro
Que beleza é conhecer
O desencanto
E ver tudo bem mais claro
No escuro...
Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
Abra a porta
E vá entrando
Felicidade vai
Brilhar no mundo
Que Beleza! Que Beleza!...
Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Caminhos
Antoine de Saint-Exupery
sexta-feira, 8 de maio de 2009
sábado, 18 de abril de 2009
Criança interior

Li certa vez a seguinte frase: "Se ouvirmos a criança que temos na alma, nossos olhos voltarão a brilhar. Se não perdermos o contato com essa criança, não perderemos o contato com a vida".
Concordo com o poeta, acredito que a minha criança interior precisa se entusiasmar mais e não se distanciar de mim. É com esse lado criança que surge o encantamento pelo sabor de sorvete de chocolate numa tarde de verão, pela festa de aniversário infantil com tudo que se tem direito, -bala, bola e bolo -, é com essa porção criança que vem a coragem de descer montanha-russa, de deitar no chão geladinho da cerâmica do terraço, de sonhar com dias repletos de alegrias, de acreditar no impossível.
Yany Mendes Siqueira de Araújo
sábado, 11 de abril de 2009
Reflexão (II)...
Vai, meu coração, ouve a razão
Usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão
Colhe sempre tempestade
Vai, meu coração, pede perdão
Perdão apaixonado
Vai, porque quem não pede perdão
Não é nunca perdoado...
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Meditação
Quem acreditou
No amor, no sorriso, na flor
Entao sonhou, sonhou...
E perdeu a paz
O amor, o sorriso e a flor
Se transformam depressa demais
Quem
No coraçao
Abrigou a tristeza de ver
Tudo isto se perder
E na solidao
Procurou um caminho e seguiu
Já descrente de um dia feliz
Quem chorou, chorou
E tanto que seu pranto já secou
Quem depois voltou
Ao amor, ao sorriso e à flor
Entao tudo encontrou
E a própria dor
Revelou o caminho do amor
E a tristeza acabou...
sábado, 4 de abril de 2009
Entrelinha
(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarrá-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)
— Ah. Porque eu sou tímida.
Rita Apoena
O que será, que será?
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza
Será, que será?
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho...
O que será, que será?
Que vive nas idéias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia a dia das meretrizes
No plano dos bandidos dos desvalidos
Em todos os sentidos...
Será, que será?
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido...
O que será, que será?
Que todos os avisos não vão evitar
Por que todos os risos vão desafiar
Por que todos os sinos irão repicar
Por que todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo..
domingo, 1 de março de 2009
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Há sem dúvida...
Álvaro de Campos
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Saudade antecipada
Infelizmente, só percebo a felicidade quando estou perdendo algo ou alguém.
"E entregando-me com a confiança de pertencer ao desconhecido. Pois só posso rezar ao que não conheço. E só posso amar à evidência desconhecida das coisas, e só posso me agregar ao que desconheço. Só esta é que é uma entrega real...
E tal entrega é o único ultrapassamento que não me exclui."
A paixão segundo G.H. - Clarice Lispector(página 179)
Daqui quatro anos estarei de volta e farei minha pós na USP!
Uma certeza...
Carlos Drummond de Andrade
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Mundo cego
O rouge virou blush
O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss
O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma
O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib
Que virou silicone
A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento
A escova virou chapinha
"Problemas de moça" viraram TPM
Confete virou MM
A crise de nervos virou estresse
A chita virou viscose.
A purpurina virou gliter
A brilhantina virou mousse
Os halteres viraram bomba
A ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental
E o fio dental virou anti-séptico bucal
Ninguém mais vê...
Ping-Pong virou Babaloo
O a-la-carte virou self-service
A tristeza, depressão
O espaguete virou Miojo pronto
A paquera virou pegação
A gafieira virou dança de salão
O que era praça virou shopping
A areia virou ringue
A caneta virou teclado
O long play virou CD
A fita de vídeo é DVD
O CD já é MP3
É um filho onde éramos seis
O álbum de fotos agora é mostrado por email
O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo
E do "não" não se tem medo
O break virou street
O samba, pagode
O carnaval de rua virou Sapucaí
O folclore brasileiro, halloween
O piano agora é teclado, também
O forró de sanfona ficou eletrônico
Fortificante não é mais Biotônico
Bicicleta virou Bis
Polícia e ladrão virou counter strike
Folhetins são novelas de TV
Fauna e flora a desaparecer
Lobato virou Paulo Coelho
Caetano virou um chato
Chico sumiu da FM e TV
Baby se converteu
RPM desapareceu
Elis ressuscitou em Maria Rita?
Gal virou fênix
Raul e Renato,
Cássia e Cazuza,
Lennon e Elvis,
Todos anjos
Agora só tocam lira...
A AIDS virou gripe
A bala antes encontrada agora é perdida
A violência está coisa maldita!
A maconha é calmante
O professor é agora o facilitador
As lições já não importam mais
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz...
...De tudo.
Inclusive de notar essas diferenças
Luis Fernando Veríssimo
sábado, 14 de fevereiro de 2009
A Aurora Indecisa
Não posso adiar o amor para outro século
Não posso
Ainda que o grito sufoque na garganta
Ainda que o ódio estale e crepite e arda
Sob montanhas cinzentas
E montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
Que é uma arma de dois gumes
Amor e ódio
Não posso adiar
Ainda que a noite pese séculos sobre as costas
E a aurora indecisa demore
Não posso adiar para outro século a minha vida
Nem o meu amor
Nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração"
Antônio Ramos Rosa
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Todas as sensações que a vida dá
Em todas as suas formas [...]
................................................
Dantes eu queria
Embeber-me nas árvores, nas flores,
Sonhar nas rochas, mares, solidões.
Hoje não, fujo dessa ideia louca:
Tudo o que me aproxima do mistério
Confrange-me de horror.
Quero hoje apenas
Sensações, muitas, muitas sensações,
De tudo, de todos neste mundo — humanas,
Não outras de delírios panteístas
Mas sim perpétuos choques de prazer
Mudando sempre,
Guardando forte a personalidade
Para sintetizá-las num sentir.
Quero
Afogar em bulício, em luz, em vozes,
— Tumultuárias [cousas] usuais —
o sentimento da desolação
Que me enche e me avassala.
Folgaria
De encher num dia, [...] num trago,
A medida dos vícios, inda mesmo
Que fosse condenado eternamente
—Loucura! — ao tal inferno,
A um inferno real."
Fernando pessoa
Registrando um momento
Chico Buarque
Essa moça tá diferente
Já não me conhece mais
Está pra lá de pra frente
Está me passando pra trás
Essa moça tá decidida
A se supermodernizar
Ela só samba escondida
Que é pra ninguém reparar
Eu cultivo rosas e rimas
Achando que é muito bom
Ela me olha de cima
E vai desiventar o som
Faço-lhe um concerto de flauta
E não lhe desperto emoção
Ela quer ver o astronauta
Descer na televisão
Mas o tempo vai
Mas o tempo vem
Ela me desfaz
Mas o que é que tem
Que ela só me guarda despeito
Que ela só me guarda desdém
Mas o tempo vai
Mas o tempo vem
Ela me desfaz
Mas o que é que tem
Se do lado esquerdo do peito
No fundo, ela ainda me quer bem
Essa moça tá diferente etc..
Essa moça é a tal da janela
Que eu me cansei de cantar
E agora está só na dela
Botando só pra quebrar
Mas o tempo vai etc..
EEE laia...ás vezes sou um pouco convencida, só um pouquinho...
Reflexão
Com a solução do enigma do mundo ocorre algo semelhante.
Todos os sistemas são cálculos que não dão um resultado inteiro:deixando um resto ou, caso se prefira uma comparação química, um precipitado insolúvel.
Este último consiste no fato de que, se tiramos conclusões lógicas de suas proposições, os resultados não correspondem ao mundo real que se nos apresenta, tampouco se harmonizam com ele; ao contrário, muitos de seus aspectos permanecem completamente inexplicáveis”.
Schopenhauer
Em
Fragmentos sobre a história da filosofia.
Ps: Como não tenho criatividade pra escrever, ou melhor, ainda tenho pudores para escrever. Este blog terá postagens de textos interessantes, por enquanto.
Prefiro escrever apenas na minha agenda!
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Direito de sonhar
Sonhar não faz parte dos trinta direitos humanos que as Nações Unidas proclamaram no final de 1948. Mas, se não fosse por causa do direito de sonhar e pela água que dele jorra, a maior parte dos direitos morreria de sede.
Deliremos, pois, por um instante. O mundo, que hoje está de pernas para o ar, vai ter de novo os pés no chão.
Nas ruas e avenidas, carros vão ser atropelados por cachorros.
O ar será puro, sem o veneno dos canos de descarga, e vai existir apenas a contaminação que emana dos medos humanos e das humanas paixões.
O povo não será guiado pelos carros, nem programado pelo computador, nem comprado pelo supermercado, nem visto pela TV. A TV vai deixar de ser o mais importante membro da família, para ser tratada como um ferro de passar ou uma máquina de lavar roupas.
Vamos trabalhar para viver, em vez de viver para trabalhar.
Em nenhum país do mundo os jovens vão ser presos por contestar o serviço militar. Serão encarcerados apenas os quiserem se alistar.
Os economistas não chamarão de nível de vida o nível de consumo, nem de qualidade de vida a quantidade de coisas.
Os cozinheiros não vão mais acreditar que as lagostas gostam de ser servidas vivas.
Os historiadores não vão mais acreditar que os países gostem de ser invadidos.
Os políticos não vão mais acreditar que os pobres gostem de encher a barriga de promessas.
O mundo não vai estar mais em guerra contra os pobres, mas contra a pobreza.
E a indústria militar não vai ter outra saída senão declarar falência, para sempre.
Ninguém vai morrer de fome, porque não haverá ninguém morrendo de indigestão.
Os meninos de rua não vão ser tratados como se fossem lixo, porque não vão existir meninos de rua.
Os meninos ricos não vão ser tratados como se fossem dinheiro, porque não vão existir meninos ricos.
A educação não vai ser um privilégio de quem pode pagar por ela.
A polícia não vai ser a maldição de quem não pode comprá-la.
Justiça e liberdade, gêmeas siamesas condenadas a viver separadas, vão estar de novo unidas, bem juntinhas, ombro a ombro.
Uma mulher - negra - vai ser presidente do Brasil, e outra - negra - vai ser presidente dos Estados Unidos. Uma mulher indígena vai governar a Guatemala e outra, o Peru.
Na Argentina, as loucas da Praça de Maio vão virar exemplo de sanidade mental, porque se negaram a esquecer, em tempos de amnésia obrigatória.
A Santa Madre Igreja vai corrigir alguns erros das Tábuas de Moisés.
O sexto mandamento vai ordenar: "Festejarás o corpo". E o nono, que desconfia do desejo, vai declará-lo sacro.
A Igreja vai ditar ainda um décimo-primeiro mandamento, do qual o Senhor se esqueceu: "Amarás a natureza, da qual fazes parte".
Todos os penitentes vão virar celebrantes, e não vai haver noite que não seja vivida como se fosse a última, nem dia que não seja vivido como se fosse o primeiro.
Eduardo Galeano
PS: Pelo menos, agora um presidente negro comanda a Casa Branca.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
NOSTALGIA
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Noite eterna
Flávio Machado
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm
Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia
Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada."
(Blues da piedade - Cazuza )
"A espécie de felicidade de que preciso não é fazer o que quero, mas não fazer o que não quero."
(Jean Jacques Rousseau)
Auto-engano - Eduardo gianetti
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Ainda no embalo de Clara Nunes
De si orgulhosa e prosa com que Deus lhe deu
Ao ver a morena sambando
Foi se acabrunhando então adormeceu
O sol apareceu
O mar serenou quando ela pisou na areia
Quem samba na beira do mar é sereia...
A estrela que estava escondida
Sentiu-se atraída depois então
Apareceu
Mas ficou tão enternecida
Indagou a si mesma a estrela afinal será ela ou sou eu!"
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Ansiedade
O mar serenou...
"O mar serenou quando ela pisou na areia
Quem samba na beira do mar é sereia."
Agora é só esperar mais 50 minutos! O tempo que não passa!
sábado, 17 de janeiro de 2009
Eu quero apenas...
Acordei hoje com o rosto inchado, minha mãe tentava me distrair, mas não conseguia era evidente minha tristeza. Mas algo me surpreendeu e muito, meu pai chegou com o violão dele e uma letra de música, minha mãe olhou a letra, era uma letra do Roberto Carlos. A princípio achei "breguíssimo", não sou muito fã dele. Então meu pai entregou a letra nas minhas mãos, um papel amarelado e ele pediu pra eu cantar. Falei pra ele que não sabia cantar a música. Minha mãe começou a cantar e pediu que eu acompanhasse. Comecei a cantar e depois comecei a prestar atenção na música que dizia o seguinte:
Eu quero apenas olhar os campos,
Eu quero apenas cantar meu canto,
Eu só não quero cantar sozinho,
Eu quero um coro de passarinho,
Quero levar o meu canto amigo,
A qualquer amigo que precisar.
Eu quero apenas um vento forte,
Levar meu barco no rumo norte
E no caminho o que eu pescar
Quero dividir quando lá chegar
Quero levar o meu canto amigo
A qualquer amigo que precisar
Eu quero crer na paz do futuro,
Eu quero ter um quintal sem muro
Quero meu filho pisando firme,
Cantando alto, sorrindo livre
Quero levar o meu canto amigo
A qualquer amigo que precisar
Eu quero amor decidindo a vida,
Sentir a força da mão amiga
O meu irmão com sorriso aberto,
Se ele chorar quero estar por perto
Quero levar o meu canto amigo
A qualquer amigo que precisar
Venha comigo olhar os campos,
Cante comigo também meu canto
Meu pai e minha mãe cantaram olhando pra mim o trecho:
"...Quero meu filho pisando firme,
Cantando alto, sorrindo livre,
Quero levar o meu canto amigo
A qualquer amigo que precisar..."
No momento quis dar um abraço forte nos dois, mas não foi necessário o meu sorriso evidenciava minha alegria. Um momento único e eterno.


